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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pauleta: “Quando bati o recorde [de golos na selecção] foi um dos dias mais felizes da minha vida...”


Numa Grande Entrevista ao "Ciclone dos Açores", Pedro Miguel Carreiro Resendes, mais conhecido por Pauleta, conheça o dia-a-dia de um símbolo dos Açores. Um homem que deu ao futebol nacional e internacional muitos golos, muitas alegrias. Um açoriano orgulhoso da sua terra entrevistado na "Fundação Pauleta", um projecto em prol da mesma...
Diário dos Açores (DA) - Pauleta fale-nos um pouco da sua Fundação

Pauleta - Já passaram 4 anos… Nós constituímos aqui a escola de futebol há 7 anos. Depois, dois anos mais tarde construímos o nosso próprio complexo e na mesma altura constituímos a Fundação.
A Fundação foi um projecto para fazer ver aos miúdos da nossa escola a minha preocupação, e da nossa estrutura, em colaborar com aqueles que mais necessitam. Por exemplo, no Natal oferecemos brinquedos a instituições e tudo o que é feito aqui em São Miguel nós fazemos questão que sejam os miúdos da escola a fazer a entrega também para eles sentirem a causa.
Quando constitui a escola de futebol disse sempre que para mim o mais importante não era fazer jogadores de futebol mas sim formar homens e dar oportunidades aos miúdos de fazerem desporto, de conviverem juntos, sempre dentro de um respeito, da união, da alegria para se divertirem. Juntando a Fundação mais no aspecto social em que eles também sentem e vêm a importância de colaborar, sempre que pudermos, com os outros.
DA - Em termos desportivos o Pauleta acaba por ser o embaixador do Paris Saint Germain e há também uma ligação com a sua Fundação…
Pauleta - Tenho um protocolo com o ‘Paris’ por quatro anos, em que todos anos levo 5 miúdos da nossa escola, mais um treinador. Ainda este ano tive a oportunidade de estar lá com eles. Para o ano para além de irmos lá, a Fundação de Paris vem cá também no nosso Campo de Férias que organizamos anualmente. Existe essa boa ligação entre o ‘Paris’ e a minha Fundação devido aos anos que passei no clube e é uma ligação que espero que continue durante muitos anos porque é boa para ambas as Fundações e principalmente para os miúdos
DA - Espera ver sair algum jogador profissional da sua fundação?
Pauleta - Como disse o mais importante para mim não é isso. É óbvio que se saírem miúdos com qualidade para jogarem em grandes clubes e chegarem a ser profissionais de futebol tanto melhor, ficarei satisfeitíssimo.
DA – O Pauleta tem aumentado as opções e os projectos seguem em várias frentes…
Pauleta - O ano passado partimos para a competição, não só temos a Escola e a Fundação, juntamos agora o Clube de Futebol Pauleta onde temos os miúdos que jogam nos sub-10 e nos infantis. Em 2011 vamos abrir os iniciados. Portanto já temos a escola e já temos 3 equipas em competição.
DA – O seu filho vai seguir as pisadas do Pauleta como jogador de futebol?
Pauleta - O que eu peço ao meu filho é o mesmo que aos miúdos daqui da Escola. Que façam desporto, que estudem que é o mais importante, e é o que o meu filho faz. Ele faz desporto, joga no Desportivo de São Roque e tem algumas qualidades, mas deixo-o tranquilo para que ele faça o seu trajecto normal e depois logo se verá. É uma questão de qualidade, principalmente, mas também uma questão de oportunidade. Depois está nas mãos de cada um, neste caso do meu filho, de demonstrar se tem valor ou não para isso. Neste momento é um miúdo como os outros, joga futebol, gosta de jogar e isso para mim é bom porque é importante que os miúdos façam desporto.
DA - Como é o seu dia-a-dia actualmente?
Pauleta - O meu dia-a-dia… agora sou um bocadinho o "motorista" dos meus filhos. Vou leva-los e busca-los à escola. Faço um pouco de deporto, trato da minha vida pessoal e à tarde, normalmente, estou na Fundação que acompanho agora mais de perto, até porque temos sempre coisas a fazer. A Fundação foi sempre crescendo… Primeiro fundação, depois escola, agora clube, portanto agora passo mais um pouco de tempo aqui.
Viajo também bastante porque tenho compromissos em França. Não só devido à colaboração que tenho com o Paris S. Germain, mas também com o Canal Plus francês e por isso tenho que ir várias vezes durante o ano a França.
Colaboro também com o turismo dos Açores e ocupo-me nestas três áreas. É verdade que agora tenho muito mais tempo para mim e quando estou cá aproveito como é óbvio para estar com a família, com a minha filha mais nova que ainda não está na escola.
DA - Paris foi uma cidade que o recebeu muito bem. Agora passados estes anos como é que as pessoas o acolhem?
Pauleta - Da mesma maneira. Ainda há 15 dias atrás estive na final da Taça de França, onde o Paris S. Germain jogou com o Lille e no intervalo do jogo tive a oportunidade de entregar uma placa a uns miúdos de uma instituição e as pessoas quando me viram no ecrã acarinharam-me bastante.
A prova disso também é que no domingo fui eleito para o 11 da equipa dos 20 anos da Liga Profissional Francesa sendo o único estrangeiro, por isso é prestigiante e um carinho que existe de parte a parte.
DA - Esse prémio vem reconhece-lo, batendo todas as "marcas" em França…?
Pauleta – Sim, ainda por cima ao fim de três anos, havendo jogadores como Weah, Trezeguet, Thierry Wenrry, Ronaldinho, Drogba, Benzema, jogadores que estavam na luta para entrar nesse onze é de facto um reconhecimento enorme. Num onze onde 10 jogadores são franceses, 9 foram campeões do mundo e o Jean-Pierre Papin que foi Bola de Ouro. Deixa-me bastante orgulhoso e é o reconhecimento do trabalho que fiz em França.
DA - Bateu o recorde da selecção nacional e em França é um jogador carismático. Ainda assim, sente que houve algum clube que gostasse de jogar?
Pauleta - É obvio que sim. Às vezes por falta de oportunidade, outras vezes pela circunstância dos clubes onde estava mas é óbvio que qualquer jogador gosta de jogar no Real Madrid, no Barcelona, no Milão, no Manchester, nas chamadas grandes equipas europeias. Isso nunca aconteceu, a carreira de um jogador é feita disso. Nós pensamos que são muitos anos, mas depois passa tão depressa e quando dás por ti já acabou, e foi o que aconteceu comigo.
DA - Falava-se sempre em jogar num grande em Portugal. Não foi o Pauleta que quis ou não houve essa oportunidade?
Pauleta - Eu nunca escondi que gostaria de ter jogado num grande. Em determinadas alturas foi por não se chegar a acordo com os clubes onde jogava porque estava bem. Os clubes que me queriam não conseguiam chegar a acordo e na parte final foi já uma opção minha querer acabar no Paris S. Germain. Não queria sair do Paris depois dos 30 anos. Quando cheguei a Paris as coisas começaram a correr tão bem e o reconhecimento que ia tendo fez com que aí já fosse uma opção minha.
Depois no último ano se calhar faltou um pouco de falta de oportunidade, mas também já tinha a decisão tomada de acabar a carreira em Paris.
DA- Dos três grandes em Portugal, há algum favorito?
Pauleta- Quando és profissional de futebol e tens que escolher um clube para jogar, não podes olhar para o nome do clube porque tens que escolher o melhor para ti. E o melhor para ti é aquele que te dá mais confiança, onde achas que te vais adaptar melhor, onde achas que vais ter mais oportunidade para jogar, onde há um treinador que tem mais ou menos confiança em ti. - Não vou dizer que toda a gente não tenha o seu clube, eu nunca me manifestei e não vai ser agora … mas nunca fiz nenhuma escolha por entre os clubes por onde passei senão tinha ficado sempre no Corunha por causa dos nomes.
Fiz o que achava que era melhor para minha carreira, para a minha família, para mim e para o meu futuro.
DA – E jogar em São Miguel, no São Roque…
Pauleta - O São Roque já não abria o escalão seniores há seis ou sete anos e tem se calhar uma das melhores formações dos Açores e a prova disso é que tem ganho praticamente os títulos todos a nível de formação e penso que faltava esse passo.
Mas depois 90% deles chegam aos seniores e deixam de jogar futebol. E foi para por fim a esta situação, e depois de conversas com o Manuel Ferreira, com o Presidente do São Roque, que me associei a este projecto dizendo que estava disponível para colaborar com eles e abrir o escalão de seniores.
Criou-se um conjunto de situações para podermos abrir os seniores. Uma delas foi inscrever-me como jogador, tentando que nos jogos que jogasse ter boas receitas para o clube. Fez-se uma camisola minha para vender e angariar fundos para o clube e fez-se, também, um jantar com algumas camisolas minhas para ganhar dinheiro para o clube.
Aconteceu aquilo que tinha a certeza que é mais miúdos no desporto e demonstrar às pessoas que o futebol regional, gratuitamente, com amor à camisola que é aquilo que acontece no São Roque pode-se fazer coisas boas. E foi isso que o São Roque fez, ganhou as duas taças que disputou no futebol regional e ficou em terceiro lugar no Campeonato de São Miguel.
Espero que este exemplo sirva também para os outros clubes (…).
DA - Vai jogar mais algum jogo?
Pauleta – Não, não… este ano foi o último ano. Para o ano estarei novamente disponível para colaborar dentro daquilo que for possível com o São Roque, mas não como jogador. Isso foi só este ano e foi, também, uma maneira de acabar a minha carreira, digamos assim, no clube da minha freguesia onde nunca tinha jogado.
DA – Diga-nos o defesa mais difícil contra quem jogou?
Pauleta - Lembro-me do Fernando Hierro, no Real Madrid, que era um defesa impressionante. Lembro-me do Thurram na selecção francesa. Dois defesas bastante complicados. Depois claro que apanhei grandes jogadores, alguns deles que jogaram comigo como o Ricardo Carvalho, o Fernando Couto, jogadores com bastante força física. Mas depois é difícil escolher porque quando jogas contra equipas como o Real Madrid, o Barcelona, o Arsenal, equipas que têm grandes defesas é difícil escolher um. Se tivesse que escolher ficava com o Fernand Hierro e o Thurram.
DA- E ao invés os melhores colega de ataque…
Pauleta -Todos os anos tive e fiz sempre grandes amigos entre os avançados que jogavam comigo como o Cavaco quando começamos no Estoril, como o César Brito no Salamanca, o Dugarry e o Laslandes no Bordéus ou o Reinaldo no Paris S. Germain onde tínhamos uma grande amizade. Todos eles foram importantes para mim e fiz sempre grandes amigos durante esses anos.
DA - Recorde de golos na selecção é uma marca histórica. Acha que pode ser ultrapassado por Cristiano Ronaldo?
Pauleta - Sim, os recordes são para se bater. Era impensável bater o recorde de Eusébio e eu consegui. O meu recorde possivelmente irá ser batido dentro de pouco tempo e claro a pessoa mais indicada para isso é o Ronaldo. Depois sim, será mais difícil chegar ao meu recorde, mas penso que o Ronaldo é aquele que está em melhor posição. Basta só ver que ele já tem 80 internacionalizações e eu fiz 88 jogos. Ele está a 21 ou 22 golos de bater o meu recorde, mas tem apenas 26 anos. Eu quando tinha 25 anos tinha 0 golos na selecção portanto ele tem todas as possibilidades e como disse os recordes são para se bater.
DA-O golo que "bateu" o recorde… O que sentiu naqueles momentos?
Pauleta - A determinada altura aquele era um objectivo grande que eu tinha, bater aquele recorde ou pelo menos igualá-lo. Tive a sorte de nesse jogo conseguir não só igualar mas bater o recorde.
Foi se calhar dos dias, dentro de um campo de futebol, que me senti mais feliz. Não só quando igualei mas principalmente quando passei. De facto foi uma emoção bastante grande porque lutei bastante para o conseguir. A determinada altura era um objectivo pessoal e por isso foi um momento alto, de grande satisfação para mim, tal como foi o primeiro golo na selecção que era a coisa que mais desejava.
DA- O que sentia mais falta em França?
Pauleta - Quando somos ilhéus e estamos num país como a França onde vivi em duas cidades como Bordéus e Paris e que não tinham mar ali ao pé era diferente do que ver o mar todos os dias. Mas essencialmente foi a questão familiar, tanto da minha parte como a minha esposa (…), mas depois adaptei-me e a partir do segundo e terceiro ano já era mais fácil. Sempre que podia passava por cá [São Miguel] e passei sempre as minhas férias aqui, tanto no Natal como no final do ano… dava para matar as saudades.
DA – Porque o Pauleta foi um exemplo no Desporto, deixe uma pequena mensagem aos leitores do "Diário dos Açores" sobre esta área…
Pauleta - No desporto, no meu caso o futebol, a mensagem que eu posso passar é que se faz ou não se faz. Ao fazer temos que levar sempre a sério. Seja nos treinos, nos jogos, como treinador, director, responsável temos que levar o desporto a sério e foi essa mensagem que passei naqueles jogos que fiz no São Roque com os miúdos apesar de serem jovens que não recebem dinheiro nenhum para estarem ali, mas quando lá estiveram tinha que estar a 100% (...). Depois para as pessoas que são responsáveis pelo desporto nos Açores e principalmente os responsáveis pelos clubes que pensem melhor antes de cometerem decisões erradas no futebol jovem, de formação, que não metam nunca o futebol sénior à frente da formação dos nossos miúdos. Penso que o desporto vai ser importantíssimo para esta juventude, para as crianças que estão a crescer porque sabemos que cada vez mais temos problemas como álcool, drogas, tabaco. Cada vez há mais problemas em casa com os pais e se não houver desporto as coisas serão ainda muito mais complicadas.
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