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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Requiem

"Lacrimosa dia de lágrimas, aquele em que o homem pecador renasce de sua cinza para ser julgado. Tende, pois, piedade dele, Deus. Ó piíssimo Jesus, ó Senhor, concedei- lhe o repouso eterno. Amén."

Mozart, Requiem


Este texto, pretendendo prestar o devido respeito ao clube finado, e compadecendo-se com a perda leonina, deve ser lido enquanto se escuta a sempiterna Lacrimosa de Mozart, a secção final do seuRequiem a que a epígrafe faz referência.

No dia em que o futebol português voltou a ter 3 clubes capazes de competir pelo título, Alvalade chorou a perda do super-herói que, nos últimos 8 anos, fazendo valer-se dos seus inimitáveis super-poderes, impediu que o Sporting descesse de divisão. Sem Liedson, como poderá o Sporting agora sobreviver? Duvido sinceramente que seja capaz de aguentar mais do que duas épocas na primeira divisão. Aliás, compreendo bem o choro da família sportinguista. É mais ou menos o que aconteceu aos escravos quando se aboliu a escravatura: após anos e anos de opressão, verem-se livres para fazerem o que bem entenderem, não dependerem de senhores prepotentes e não trabalharem ao ritmo da vergasta e do chicote, não é fácil. A reacção dos escravos, perante a mudança, por melhor que fosse essa mudança, foi certamente chorar. Estavam tão habituados à pobre condição de escravos que achavam a escravatura mais confortável que a liberdade.

O que é certo é que, em uníssono, Alvalade compôs um requiem de lágrimas perante a despedida do seu mais valioso futebolista dos últimos anos. Ainda por cima, após um jogo em que o super-herói marcou dois golos. E que golos! Um deles, à boca da baliza, graças a um faro de golo apuradíssimo, que o fez perceber com clareza que o guarda-redes contrário iria defender para a frente, após um lance vulgaríssimo do vulgaríssimo companheiro de ataque, Hélder Postiga. O outro, melhor ainda, seguido de um ressalto vindo de um médio da Naval, deixando-o inadvertidamente isolado. É disto que Alvalade mais terá saudades, desta forma extraordinária de aproveitar tudo o que é acidental, ressaltos, maus alívios, erros dos adversários, disparates alheios. Não poderia terminar melhor a sua passagem pelo clube do que com dois golos que, afinal, tão bem o definem. Aliás, não poderia terminar melhor do que com esses dois golos e com os outros dois que flagrantemente falhou, um dos quais o define igualmente muito bem, a desaproveitar um passe fraquinho de Postiga, falhando isolado perante o guarda-redes adversário.

Por todas as alegrias que o seu super-herói lhes deu nos últimos anos - e foram vários os troféus que ajudou a conquistar - mas sobretudo pelo magnífico desempenho deste último jogo - pois têm mais facilidade os seres humanos em lembrar as últimas coisas e os lances capitais de um jogo - chorou então todo o estádio. Chorou também todo o estádio por saber interiormente que a perda daquele que invariavelmente resolvia todos os problemas da equipa significava o fim do próprio clube. A mim, que tenho um coração de manteiga, a missa fúnebre que foi a cena final comoveu-me muitíssimo, e senti vontade de assistir àquilo tudo com oRequiem de Mozart como música de fundo, para condizer. Desejo acabar, porém, com a nota de optimismo a que subtilmente aludi no início do texto: apesar da tragédia e da choradeira, apesar de não restar agora qualquer réstia de esperança na salvação, apesar da partida do super-herói e do enterro público do defunto, há que ver que, para o futebol o português, é capaz de ser positivo passar a haver mais um candidato ao título.

1 comentário:

Anónimo disse...

nos corinthianos de alma e coraçao ,agradecemoa a volta do liedson ,pra nos ,ele voltou pra torcida mais FIEL ;;do mundo.

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