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quinta-feira, 22 de março de 2012

Juvenis: avassaladores internamente e épicos no exterior

O treinador dos juvenis do Santa Clara, Luís Silva, faz um balanço da forma como tem decorrido a época até ao momento.
 
Que balanço faz da participação da nossa equipa de Juvenis no Campeonato Nacional?
O balanço que faço tendo em conta a história das equipas açorianas nesta fase tem que ser positivo e quase épico, pois é raro ver uma equipa açoriana vencer e impor-se nesta fase como nós o fizemos. Por exemplo, esta geração há duas épocas, nesta fase do campeonato de iniciados, não conseguiu qualquer ponto e acabaram com um score de 24 golos sofridos e apenas 1 marcado. Em contraponto, esta época registamos 3 pontos, 3 golos marcados e 13 sofridos, sendo também, na minha opinião, importante perceber que quanto mais subimos na faixa etária, maior é a dificuldade pois a exigência em termos tácticos e da própria intensidade e qualidade individual é claramente superior. Normalmente, a presença nos nacionais é ainda vista como um prémio e existe algum alheamento na discussão das partidas por parte das equipas açorianas. Penso que juntamente com os jogadores conseguimos ultrapassar uma barreira psicológica importante e mudar alguns paradigmas, pois aumentamos as exigências e conseguimos disputar todos os jogos de igual para igual, inclusive com o campeão nacional em título e principal candidato à conquista do campeonato esta época (S.L. Benfica), aliás considerado pela crítica como a equipa mais forte e mais bem organizada dos escalões de formação em Portugal. Penso, assim, que demos um passo importante para a evolução do futebol de formação açoriano e do Santa Clara em particular, pois a nossa vitória serviu, por exemplo, de inspiração para os nossos iniciados nos seguirem as pisadas e conseguirem igualmente uma participação honrosa.
Quando ainda falta um jogo para os iniciados do Santa Clara e três para os juniores do Salão terminarem as suas participações no nacional, registamos, neste momento, a melhor performance, quando, se calhar, tínhamos a tarefa mais complicada. Quando, na época passada, iniciei a minha carreira como treinador principal lancei o desafio ao jogadores de sermos campeões e fazer um excelente nacional, pois este clube já não vencia um campeonato de juvenis há oito anos. Por incrível que pareça, e se nos iniciados com muita frequência e nos juniores com conquistas esporádicas se registam títulos, nos últimos oito anos equipas que tinham ganho com facilidade nos iniciados “ bloqueavam” nos juvenis. No espaço de um ano e meio conseguimos atingir e superar os nossos objectivos.
 
Depois da vitória inicial, ficou a clara sensação de que haveriam condições para somar mais pontos. A este nível, o que falhou?
Obviamente que ganhando o primeiro jogo fora de casa elevamos a fasquia e se ficou a sensação que algo mais poderia ter sido feito, tal se deve ao mérito dos jogadores.
Ficamos com essa sensação porque discutimos os jogos de igual para igual e só não fomos superiores nos detalhes, e esses detalhes, quando existe equilíbrio, é o que decide as partidas.
Por outro lado, a falta de experiência e de tempo para preparar os jogos fez com que não conseguíssemos ser mais competentes nesses mesmos detalhes. O primeiro jogo com o Imortal foi o único que pudemos preparar com as três sessões de trabalho e com a equipa fisicamente ao mesmo nível que o opositor, daí talvez ter sido neste jogo que vencemos e tal não terá sido certamente coincidência. Depois, a partir daí foi recuperar, jogar, recuperar, jogar e obviamente não conseguimos preparar os jogos e criar situações no treino que potenciassem o que se passaria no jogo. É justo também perceber que, embora tenhamos passado a ideia que não existem diferenças das equipas açorianas para as continentais, ainda há muito a fazer e a trabalhar. Por exemplo, tendo como forma de comparação a época passada, o campeão açoriano conseguiu nesta fase um ponto e registou 2 golos marcados e 43 sofridos, e, por exemplo, os nossos juniores que entraram na segunda divisão de juniores conseguiram apenas um empate. Isto mostra as imensas diferenças que ainda existem, mas que os nossos jovens este ano conseguiram disfarçar e contrariar. Obviamente que isso é mérito do trabalho que se iniciou na nossa formação e sobretudo nos nossos atletas, quer juvenis, quer iniciados.
 
Considera que a prestação foi prejudicada pelo quadro competitivo local, no qual fomos obrigados a jogar a cada três dias?
Sobre este tema teria muita coisa a dizer, mas prefiro ter alguma contenção, pois a época ainda não acabou e portanto pede-se prudência nas palavras. Deixo só o conselho para se ouvir a opinião dos treinadores das equipas antes de cada época, pois somos nós que melhor conhecemos as exigências e as dificuldades de um calendário descabido e desajeitado para a nova realidade do futebol moderno. Não podendo dizer o que gostaria sobre este tema, deixo os factos:
Primeiro, só pudemos preparar o jogo com o Imortal, pois a partir daqui jogamos ao fim-de-semana para o nacional e a meio da semana para a Taça Manuel Inácio de Melo, enquanto os nossos adversários do Continente não jogavam e tinham uma semana para descansar e preparar o próximo jogo. Não tenho o mínimo problema em dizer que tendo a equipa com os índices físicos em igualdade com os nossos opositores e com tempo para preparar os restantes jogos teríamos certamente amealhado mais pontos para o futebol açoriano.
Os nossos jovens foram obrigados a fazer nove jogos num espaço de um mês, sendo obrigados a fazer mais três partidas (240 minutos) que Imortal, Benfica e Setúbal, o que obviamente nos colocou em desvantagem.
 
Apesar de tudo, ficou provado que a diferença que nos separa das formações continentais é cada vez mais ténue. Sinal de que cada vez se trabalha melhor na formação nos Açores, ou pelo menos, que se trabalha cada vez melhor no santa Clara?
O Santa Clara com este novo projecto iniciado há quatro anos - que agora começa a dar frutos - teve na minha opinião uma clara evolução e distanciamento para a restante formação em São Miguel, que, penso, ou arrepia caminho ou dificilmente vai conseguir acompanhar-nos. Registe-se o investimento que o presidente Mário Batista e a sua direcção têm feito na formação, uma aposta que já deveria ter sido feita há largos anos, mas que infelizmente anteriores direcções se esqueceram de realizar, deixando a formação ao abandono.
Este investimento é indispensável para fazer a formação crescer a olhos vistos como tem acontecido. O projecto em linhas gerais passou por, numa primeira fase, juntar os escalões de futebol juvenil no mesmo espaço, neste caso em Santo António. Sob a coordenação geral do “homem forte” da formação, o senhor Domingos Viveiros e a coordenação técnica do mister Vítor Pereira começou-se por dar formação técnica a treinadores jovens e ambiciosos que trabalharam de perto com ele e beberam do seu ensinamento, o Mister Pedro Bermonte e eu, em que se definiu um modelo de jogo e de clube para a formação encarnada, sendo que todos os treinadores que neste momento aqui ingressam são primeiro identificados com esta forma de trabalhar como aconteceu por exemplo com o mister Hélio Oliveira que rapidamente se identificou com o processo e com enorme sucesso nos iniciados, e o meu adjunto Bruno Lourenço que chegou este ano ao clube e irá orientar já os iniciados na próxima época. Este modelo definiu uma forma de jogar e treinar condizente com todos os escalões do clube de forma a que o trabalho seja feito numa linha evolutiva desde os iniciados até à equipa B.
O modelo inclui também incutir nos nossos jovens responsabilidade, exigência, valores cívicos, como demonstram as raríssimas expulsões que os nossos jovens registam e um exemplar comportamento dentro e fora de campo condizente com o enorme fair play e respeito mútuo que verificamos quando jogamos com oponentes continentais, contrastando com algumas equipas micaelenses que quando defrontam o nosso emblema se esquecem dos valores cívicos mínimos aceitáveis, acções estas muitas vezes incutidas por dirigentes e treinadores, algo que tem que mudar, pois é a imagem de alguns clubes que fica manchada.
 
Aproxima-se o final da época. Em traços gerais como classifica o percurso feito até ao momento?
A nível “ externo”, se assim quisermos denominar, como já disse, foi fantástico, com uma participação no campeonato regional e nacional de louvar e que nos enche de orgulho. A nível “interno” é ainda melhor e a nossa superioridade até ao momento tem sido completamente avassaladora.
Primeiro, porque antes de começar a época apontaram o União Micaelense como o principal candidato ao título e como sendo a melhor equipa deste escalão. Fui ouvindo e guardando para mim e pedi aos meus jogadores que fizessem o mesmo pois tinha a certeza que éramos de longe a melhor equipa, o que acabou por se verificar. Além de sermos, na minha opinião e da maioria esmagadora da crítica em geral, a equipa mais organizada e a que melhor futebol pratica, vejamos os factos, pois contra factos não existem argumentos: Fomos campeões de São Miguel e dos açores. Consentimos apenas uma derrota, na Lagoa, no último jogo do campeonato em que optamos por fazer descansar a maioria dos jogadores, pois já tínhamos o título ganho. Nos jogos em casa, registamos cem por cento de vitórias até ao momento. Registamos, até esta altura, 23 jogos efectuados, com 20 vitórias, 2 empates e 1 derrota, tendo contabilizado 98 golos marcados e apenas 7 golos sofridos. Com isto, deixo que os números falem por mim. Isto é o reflexo de um trabalho extraordinário realizado primeiro pelos jogadores que são os maiores obreiros do sucesso por acreditarem no meu trabalho e na minha orientação juntamente com o meu adjunto, o mister Bruno Lourenço e o meu director Vitor Melo que são fantásticos, trabalham imenso para o clube e me ajudam todos os dias a ser melhor treinador. Acredito também que só com uma equipa técnica como a nossa, unida e trabalhadora, e com muita qualidade se pode orientar um grupo de jovens rumo ao sucesso.
 
Será possível juntar mais dois troféus aos já conquistados?
Obviamente que quem trabalha no Santa Clara tem que pensar sempre em ganhar todos os troféus e o discurso não poderá ser outro, agora sabemos que não vai ser fácil pois existem equipas com muita qualidade como o União Micaelense, o São Roque, o Operário e o Rabo de Peixe que são legítimos candidatos a disputar connosco estes dois troféus e, de certa forma, tentarem salvar a época no que a troféus diz respeito, pois não sendo o mais importante no processo de formação é obviamente significativo do êxito.
Nós já vencemos os dois troféus mais importantes da época, que eram o campeonato de São Miguel e o dos Açores, mas obviamente gostaríamos de adicionar mais estes dois troféus que embora não tenham a mesma importância não nos retiram o desejo de conquista. Aliás esta geração nunca conseguiu vencer a Taça de São Miguel e portanto os meus jogadores têm esse factor extra de motivação. Para já, conseguimos atingir a final da Taça Manuel Inácio de Melo com um percurso cem por cento vitorioso e, pelo meio, com uma goleada ao União Micaelense por cinco a um e mesmo sabendo que na final iremos encontrar uma equipa forte do Operário, que foi a formação que nos causou mais dificuldades este ano temos o direito legítimo de querer ganhar. Para isso teremos que manter a mesma humildade, qualidade e volume de trabalho efectuado até aqui para poder terminar a época como a começamos, ou seja, ganhando e apresentando um futebol de qualidade. 

fonte/Santa Clara

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